Carro elétrico na garagem: o que o seu prédio precisa fazer agora

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Carro elétrico na garagem: o que o seu prédio precisa fazer agora

Três em cada dez carros vendidos no Brasil em 2025 já são elétricos ou híbridos. O condomínio que deixar para pensar nisso depois vai gastar bem mais e ainda arrumar briga na garagem.

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Por Ana Carolina Candido Alves · Dra. Condomínios

julho 20258 min de leitura

O cenário automotivo brasileiro está mudando em ritmo acelerado. Com três em cada dez carros vendidos no Brasil em 2025 já sendo elétricos ou híbridos, os condomínios residenciais enfrentam um desafio iminente. Ignorar essa transição energética não é mais uma opção: adiar o planejamento significa gastar muito mais no futuro e gerar sérios conflitos na garagem.

1. O risco da sobrecarga e o estudo técnico

A imensa maioria dos prédios brasileiros não foi projetada para suportar a carga elétrica exigida pelo carregamento simultâneo de veículos. A instalação de tomadas sem critério, ou ligadas diretamente ao relógio do condomínio, pode causar desde quedas de energia constantes até incêndios graves. O primeiro passo obrigatório é a contratação de um engenheiro eletricista para realizar um estudo de demanda e viabilidade técnica, que vai apontar a capacidade ociosa do prédio e se há necessidade de aumento de carga junto à concessionária.

2. Gestão financeira e medição individualizada

Um dos pontos de maior atrito em assembleias é o rateio do consumo de energia. Não é justo que a comunidade pague pela "gasolina" de um único condômino. Para evitar conflitos, é fundamental a participação ativa do conselho fiscal na avaliação e aprovação de projetos para a instalação de um medidor individual de energia elétrica. Formalizar essa infraestrutura junto à concessionária (como projetos específicos via Enel para o mercado interno do condomínio) garante transparência total: o que é consumido na vaga é cobrado diretamente da unidade correspondente, protegendo o caixa do condomínio.

3. Atualização do regimento interno

A tecnologia avança mais rápido que as convenções condominiais. Antes de autorizar a primeira instalação, é preciso convocar uma assembleia para deliberar sobre regras claras, tais como:

  • Padronização técnica dos carregadores (tipo de cabo, potência máxima permitida).
  • Responsabilidade civil e manutenção preventiva a cargo do proprietário do veículo.
  • Regras de uso, caso o condomínio opte por instalar carregadores de uso comum (vagas rotativas de carregamento).

4. Prevenção de incêndios e segurança

As baterias de lítio possuem características específicas de combustão que não respondem bem aos extintores de água tradicionais. É indispensável revisar o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) e adequar a sinalização e os equipamentos de combate a incêndio da garagem para atender às novas normas estaduais vigentes para pontos de recarga.

A infraestrutura para carros elétricos deixou de ser um artigo de luxo para se tornar uma necessidade estrutural. Condomínios que se antecipam e regulamentam a questão evitam processos judiciais, preservam a segurança elétrica e valorizam o patrimônio de todos os moradores.

Fonte de referência: Secovi, Sindiconet, Jusbrasil (Direito Condominial) e Normativas da ANEEL.
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